Projeto de Cássio que limita mandato de dirigentes esportivos é apoiado por atletas e parlamentares

Acabar com a perpetuação de dirigentes esportivos no comando de federações e confederações. A proposta recebe apoio de atletas e parlamentares, mas o próprio senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) reconheceu nesta quarta-feira (28), durante audiência pública na Comissão de Educação, que a proposta de limitar os mandatos de dirigentes esportivos deverá encontrar resistência. Por isto, ele pediu a mobilização permanente de atletas, parlamentares e dirigentes para viabilizar a aprovação da matéria no Congresso. Cássio observou que seu projeto propõe uma regra de transição para garantir que os atuais dirigentes possam concluir seus mandatos.

– A nossa intenção não é personalizar. Não estamos aqui tentando atingir fulano ou beltrano. Queremos tentar começar a construção de um novo modelo para que o país possa avançar – disse o senador.

Além de permitir apenas uma reeleição para esses cargos e restringir a quatro anos a duração máxima dos mandatos de cartolas no comando das entidades esportivas, a proposta do senador paraibano proíbe a nomeação de parentes para ocuparem funções nas instituições.

A transparência no uso dos recursos públicos e a modernização da gestão foram lembradas por atletas e parlamentares que defendem a aprovação da proposta. O tema foi discutido em audiência da Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) para instruir dois projetos: o  PLS 253/2012, do senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), e o PLS 328/2010, do ex- senador Alfredo Cotait.

Além de senadores, as jogadoras Ana Moser e Hortência, o deputado federal Romário e o jornalista esportivo José Cruz participaram da audiência pública.

O debate em torno de proposta para alternância na direção das entidades deve ser o primeiro passo no estabelecimento de um Sistema Nacional de Esporte, conforme observou a ex-jogadora de vôlei Ana Moser, presidente da organização não governamental Atletas pela Cidadania. Segundo ela, a mudança seria um símbolo do início do processo de construção de um país esportivo.

– Que essa lei seja um símbolo para a modernização do esporte. Mais do que a modernização do esporte, que seja um símbolo que ande da maneira mais rápida possível e que abra as porteiras para um amplo debate no Congresso a respeito da ordenação e estruturação legal e orçamentária do esporte brasileiro em todas as dimensões – explicou.

AUSÊNCIA DE NUZMAN – A ausência do presidente do Comitê Olímpico Internacional, Carlos Arthur Nuzman, à audiência pode ser um indício da “resistência ao projeto” a que se referiu Cássio Cunha Lima, conforme apontaram o jornalista esportivo José Cruz e o deputado Romário (PSB-RJ), presentes à audiência pública.

Por meio de ofício encaminhado ao colegiado, Nuzman alegou que não participaria do debate em função de compromissos da entidade no exterior. O COB também recusou enviar um representante, alegando que o assunto deve ser tratado pelo próprio presidente da instituição. Nuzman foi eleito em outubro para o quinto mandato consecutivo à frente do comitê.

– Não é saudável para o esporte brasileiro o Senado Federal promover um debate dessa importância e não ter um representante do COB. O presidente Nuzman é devedor desta comissão. Na última vez que aqui esteve, ausentou-se do debate, deixando um grande constrangimento – assinalou o jornalista José Cruz.

Detalhe importante: mesmo com a ausência de Nuzman, ou exatamente por causa dela, todos os presentes à audiência pública apoiaram o projeto de Cássio Cunha Lima.

 

Com Agência Senado

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