‘Lula não vai mais enganar os evangélicos’, diz líder da bancada na Câmara.

O deputado federal e líder da bancada evangélica na Câmara, Sóstenes Cavalcante (União Brasil-RJ), disse hoje, ao UOL Entrevista, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enganou os evangélicos em sua primeira eleição, mas que isso não irá ocorrer no pleito de 2022. Recém-chegado à presidência da Frente Evangélica, Sóstenes é aliado do presidente Jair Bolsonaro (PL) e do pastor Silas Malafaia.

“É natural que o presidente Lula tente a inserção [no meio evangélico]. O presidente Lula na sua primeira eleição já soube enganar muito bem os evangélicos”, começou.

Ele [Lula] teve o apoio da massa evangélica na sua primeira eleição, entretanto, nos dois governos dele e no governo Dilma nós vimos a afronta que o governo do PT fez ao segmento evangélico na luta por valores que são totalmente divorciados ao que acreditamos e defendemos. Então, o Lula não vai mais enganar o segmento evangélico porque nós já sabemos quem é.Completou o deputado Sóstenes Cavalcante ao UOL Entrevista.

Cavalcante comentou que o ex-juiz Sergio Moro e Ciro Gomes (PDT) estão tentando “surfar” na onda ao tentar fazer campanha direcionada aos evangélicos para tentar ganhar votos entre os religiosos, mas se disse “assustado” com os presidenciáveis só frequentarem nos templos no período eleitoral.

“O que me assusta são esses candidatos só aparecerem nos templos evangélicos no tempo eleitoral. Por que não fazem isso fora do período eleitoral?”.

O líder da bancada evangélica na Câmara ainda exaltou a presença do presidente Jair Bolsonaro (PL) nos templos religiosos.

“É nisso que o presidente Bolsonaro acerta muito. Eu nunca vi um presidente da República que visitou tantos templos evangélicos e igrejas católicas ao longo do seu mandato. Esse é o acerto do presidente Bolsonaro em detrimento dos demais candidatos que só aparecem em momento eleitoral.”

O parlamentar ainda afirmou que é “típico do PT” usar máscaras no período eleitoral para enganar a população e que os políticos alinhados ao governo irão relembrar o que a sigla fez nos seus últimos governos contrários às pautas dos costumes — tidas como essenciais pelo grupo.

Críticas às pesquisas eleitorais Cavalcante ainda criticou as pesquisas eleitorais que apontam uma divisão entre os votos evangélicos em Jair Bolsonaro e Lula.

A pesquisa PoderData divulgada em 3 de março pelo site Poder360 apontou que o atual mandatário tem 48% das intenções de voto entre eleitores evangélicos enquanto Lula aparece em segundo lugar, com 27%.

O deputado disse respeitar as pesquisas, mas apontou que as métricas apontam para uma dissociação da realidade.

“Se hoje, no atual momento, entre qualquer porta de evangélicos, que é o que eu frequento com muita naturalidade de duas a três vezes por semana, qualquer templo se não der 70% [de votos] a favor do Bolsonaro, eu estou vivendo em outro país. (…) Nós, que somos evangélicos, sabemos o que estou falando, com o maior conforto em qualquer lugar do Brasil. Estas pesquisas que dizem que há empate [entre Lula e Bolsonaro], que ambos estão próximos um do outro, não condizem com a realidade.”

O parlamentar ainda explicou que está aproveitando a janela partidária para migrar do partido, mas pretende, em 30 dias, no máximo, encomendar uma pesquisa eleitoral apenas com as intenções de voto dos evangélicos para as eleições deste ano.